sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Dois ou + corpos no mesmo espaço


Sendo o vocábulo base principal nas suas produções artísticas, Arnaldo Antunes busca utilizar recursos como a fotografia, o cd, o vídeo e livros que expressam a linguagem de diversas formas e maneiras. O CD que acompanha o livro “Dois ou + corpos no mesmo espaço” é um exemplo dessa união entre o visual e o sonoro, mostrando sua ousadia e inovação na atividade poética, pois o plano sonoro acrescenta o plano gráfico pluralizando as percepções e visualizações dos poemas. Com isso, o seu trabalho artístico na produção do livro “Dois ou + corpos no mesmo espaço” promoveu a simultaneidade das palavras no espaço sonoro e gráfico, explorando as partes separas e combinadas das palavras proporcionando para o leitor-ouvinte diversas interpretações.
É notável que a produção poética de Arnaldo Antunes insere múltiplos suportes diversificando a maneira de fazer poesia, o seu processo criativo é puramente inventivo e ousado não há limites na vertente estética e imagética.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dica só para mulheres


Impossível?

A maioria das coisas "impossíveis" são impossíveis apenas porque não foram tentadas. Quanta coisa você não faz apenas por timidez ou medo...
Você já experimentou pintar paredes? Pois, acredite ou não, não é necessário tirar "curso" (só um curso de "confiança-em-si-mesma" ajudaria, pois confiança é o que lhe falta).
A tinta, você compra. O pincel, também. A parede, você tem. E duas mãos também. Por incrível que pareça, você é dona dos instrumentos necessários. O que falta mais? Um pouco de ousadia e vontade de se divertir. (E de economizar.)

Trecho do livro "Só Para Mulheres", de Clarice Lispector

Parabéns para nós mulheres!

08 de Março de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

" E agora, José? "



Um pouco de Drummond

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, Minas Gerais, em 1902, cujo meio físico e social de sua terra marcou-lhe profundamente. Pertenceu a classe média brasileira, ganhou a vida como funcionário público e jornalista, dedicou-se à literatura por prazer, tornando-se um ilustríssimo escritor. De um estilo variado, trabalhou todas as formas como versos curtos e longos, próximos da prosa, versos metrificados e livres, versos rimados, versos brancos, formas fixas, como um soneto e formas livres, atualizou arcaísmos e inventou neologismos, produziu uma vasta obra literária e é reconhecido mundialmente.
Em 1942 o poema José foi publicado, ano de inúmeros acontecimentos políticos e econômicos que marcaram a sociedade brasileira como a atuação do Estado Novo que trouxe miséria, repressão política e a formação de classes opressoras e oprimidas. "José" representa um problema de todos, em que expressa uma condição reflexiva da existência e resistência diante de tanta repressão.

José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.

José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?



Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sobre o EREL 2010



Comprometidos com estímulo à construção de uma visão crítica para uma leitura mais aguda do(s) mundo(s) em que vivemos, e buscando a integração de estudantes e profissionais de Letras, propomo-nos a sediar o XII EREL e discutir, amplamente, o tema: “Letras e leituras de mundo para uma visão crítica”.

Essa tentativa deve apontar para uma transformação não somente superficial, mas também para uma ação criadora de novas consciências, e que proponha, acima de tudo, atitudes politizadas e debates interligados com as mudanças pelas quais o nosso curso tem passado. Assim, devemos nos atentar para a noção de que, enquanto estudantes e profissionais de Letras, temos um papel dentro e fora da universidade, tanto acadêmico quanto ideológico, apenas possível mediante uma perspectiva mais holística da(s) nossa(s) realidade(s)

Nós, que lutamos pela melhoria do ensino, pelo estímulo à pesquisa e à extensão, também defendemos uma maior interação da universidade com a sociedade; por isso, propomo-nos, nesse XII EREL, a realizar um encontro que permita a todas e todos os encontristas incorporarem a necessidade de uma visão crítica em face do mundo.


Maiores informações no site: http://www.erel2010.com.br